Política
Bolsonaro decide participar de visita do empresário Elon Musk

Bolsonaro chamou Musk de “mito da liberdade”, por ele criticar a regulação e a qualquer tipo de moderação de conteúdo nas redes sociais

O que à princípio seria um almoço entre empresários e o homem mais rico do mundo – Elon Musk – acabou se tornando um evento na agenda do presidente Jair Bolsonaro (PL), na sexta-feira, dia 20, apesar do encontro ter ocorrido num restaurante privado em Porto Feliz, Interior de São Paulo.

Á princípio, somente o ministro das Comunicações, Fábio Faria, participaria do almoço, que teria a presença de um grupo de empresários, com o objetivo de oficializar o investimento no setor de internet no País pela Starlink, empresa de Musk, principalmente para conectar escolas e empresas na região amazônica. Porém, participaram também Bolsonaro e os ministros Carlos França (Relações Exteriores) e Luiz Eduardo Ramos (Secretária-geral). A companhia de Musk obteve aval da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para explorar o serviço na região, logo após encontro entre ele e Faria nos Estados Unidos.

A equipe do Governo quer usar o encontro do presidente e do empresário para tentar reverter as críticas de que Bolsonaro tem uma política equivocada, que tem contribuído para o aumento na devastação da Amazônia. Porém, aos empresários presentes, ministro das Comunicações disse que o governo mostraria a Musk “a verdade” sobre a Amazônia e que artistas e celebridades só mostram o “dark side” da floresta, apesar dos números desmentirem a afirmação. Segundo Inpe, alertas de desmatamento na região passaram de 1 mil km² em abril e bateram recorde para o período. No encontro seria proposto a Musk um acordo para uso do sistema de satélite de órbita baixa, explorado pela empresa Starlink, para monitorar o desmatamento na região.

Já o grupo responsável pela pré-campanha de reeleição de Bolsonaro vê o encontro com o bilionário como oportunidade de virar a chave após semana vista por eles como desastrosa para a conquista dos objetivos políticos. O desastre visto pelo grupo político próximo ao presidente foi a retomada de ataques ao STF – entre eles uma queixa-crime frustrada apresentada contra o ministro Alexandre de Moraes, que além de não ter obtido êxito, Bolsonaro terminou a semana tendo que apertar, a contra gosto, a mão de Moraes.

IDEOLOGIA - Bolsonaro tem afinidade ideológica com Musk. Ambos são críticos a regulação e a qualquer tipo de moderação de conteúdo nas redes sociais. Tanto é que bolsonaristas comemoraram quando Musk anunciou a compra do Twitter – transação ainda não concretizada – e indicou que pretende atenuar a moderação de conteúdo na rede.

Nesse sentido, Musk chegou a declarar na semana passada que reativaria na rede social a conta do ex-presidente norte-americano Donald Trump, inspiração de Bolsonaro. Trump foi banido permanentemente do Twitter por incitação à violência em decorrência da invasão ao Capitólio, estimulada por ele após ser derrotado nas urnas por Joe Biden.

No encontro com Musk, Bolsonaro declarou que o anúncio da compra do Twitter é um “sopro de esperança”. “O exemplo que nos deu, poucos dias, quando se anunciou a compra do Twitter, para nós aqui é como um sopro de esperança. O mundo todo passa por pessoas que têm vontade de roubar essa liberdade de nós, a liberdade é a semente para o futuro”, afirmou Bolsonaro, chamando Musk de “mito da liberdade”.

Bolsonaro é investigado pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news. Seu nome foi incluído entre os alvos pelo ministro Alexandre de Moraes ao levar em conta ataques, sem provas, feitos pelo presidente às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral e as redes sociais sem controle são um campo vasto para que o presidente e seus aliados propaguem informações sem comprovação.

Foto: Divulgação

 

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