Cães na areia: veterinários alertam sobre os perigos

Lei em Santos entra em vigor em 2022, mas em Praia Grande divide opiniões

A partir do dia 1º de janeiro começará na cidade de Santos um projeto-piloto que autoriza cães na faixa de areia da praia. O Munícipio será o primeiro do Estado a permitir a circulação dos animais em trechos da orla e areia. No Brasil, Rio de Janeiro e Natal já permitem. A lei que permite esse projeto foi aprovada em outubro pela Câmara e promulgada pelo prefeito Rogério Santos semana passada, mas divide opiniões.

O médico veterinário e especialista em Saúde Pública, Eduardo Ribeiro Filetti, é contra aos cães andarem na faixa de areia. “A última pesquisa que fiz, em 2019, mostrou que nos canais de Santos continham metais pesados, medicamentos e drogas. E tudo isso vai para as areias da praia e pode fazer muito mal aos cães”.

Apesar disso, o especialista foi convidado para fazer parte da comissão para normatizar o projeto. As regras vão desde limitar as faixas de areia que os animais poderão circular, até multa caso os donos não recolham as necessidades dos pets. A comissão permitirá na faixa de areia os animais vermífugados, vacinados, com atestado de saúde dado pelo veterinário, coleira e guia, e sacos higiênicos.

Segundo o veterinário, de três em três dias a areia do trecho liberado será recolhida e comparada com outros pontos da praia, para analisar a contaminação. Se durante seis meses não houver indícios de contaminação, outro trecho poderá ser liberado. Ele lembra ainda que 10% dos donos não fazem o uso dos sacos higiênicos.

Se o projeto não funcionar a comissão tem autonomia para acabar com ele. “Não vou me furtar a pedir a extinção do projeto se ele prejudicar os cães, crianças, adultos, a terceira idade ou o meio ambiente”, salientou Filetti, que completou. “Eu tenho minhas convicções, mas elas podem ser mudadas se conseguirmos fazer diferente”.

PRAIA GRANDE - Caso o projeto seja um sucesso na cidade vizinha, tem grande chance de ganhar novos adeptos. Fagna Ribeiro tem um Pug e é a favor dos cães na areia. “Meu cachorro não pode ficar em casa sozinho, ele tem convulsões. Nós vemos tantas coisas na praia para proibir, sujeira de todos os tipos”. Seu marido, Adeilton Ribeiro, lamenta. “Infelizmente aqui na Cidade ainda não tem uma lei para isso, mas não podemos deixar ele trancado em casa”.

Carlos Andrade acha que somente com a multa a população respeitará. “É muito bom ter uma lei e uma fiscalização mais severa, porque se não doer no bolso, ninguém vai respeitar”.

Morador de Praia Grande há três meses, Nelson Nunes é dono do Poodle Liza, e não quer cachorros na faixa de areia. “Apesar de eu ter cachorro, eles não têm que ficar na areia porque podem transmitir doenças. Quando trago a Liza, o saquinho higiênico vem junto.”

A médica veterinária Mariana Andrade Gomes alerta para as doenças que as fezes dos animais podem causar. “Os cães podem ter uma doença chamada Giárdia. Essa enfermidade pode contagiar tanto o humano, quanto outros animais. Mesmo retirando as fezes do local, pode conter resquícios no ambiente”, alerta a especialista, que completa. “Sou a favor de ter uma lei, pois é uma segurança para todos e pode evitar contaminações em grande escala”.

22/11/2021

Foto: Eduado Oliveira

Texto: Igor Reis

 

 

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