Baixa remuneração e condição de trabalho faz São Paulo perder oficiais

Apesar de anunciar reforço, o déficit de policiais é o maior da história da Civil

De acordo com os dados oficiais da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), em dezembro de 2018, a Polícia Civil contava com 29.717 homens em atividade. Em setembro deste ano, o número caiu para 27.524 homens. Os dados também revelam que a Civil estadual está encolhendo.

De 2015 a 2021, a instituição perdeu 10.852 policiais, mas foram menos de 8.000 que se formaram na Academia de Polícia (Acadepol) no mesmo período. O Estado perde dois policias por dia na linha de frente do combate ao crime.

Segundo o presidente da ADPESP, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, devido aos baixos salários e planejamento pouco estruturado, os policiais saem de São Paulo para outros estados em busca de melhores condições.

Conforme Mesquita, toda a falta de investimento e infraestrutura precária afeta diretamente o combate ao crime e ao serviço prestado à população, como a demora no atendimento e delegacias fechadas. Ele ressalta que a maioria dos policiais de São Paulo recorrem a trabalhos complementares para garantir o sustento da família. Este quadro contribui para a desmotivação do policial , que reflete no alto índice de suícidio na categoria. No dia 9 de novembro, o Governo do Estado anunciou um reforço efetivo das tropas. Segundo o Estado, foram mais de 10 mil contratações de policiais em menos de três anos, com 4,3 mil homens em formação e 3.000 vagas de concurso em andamento. Também reformaram 114 delegacias, pagaram bônus aos policiais, entre outras melhorias. De acordo com Mesquita, as contratações estão em ritmo muito lento, e não conseguem acompanhar a evasão dos policiais que saem diariamente. A desproporçãoé tão grande que, atualmente, o número é o maior da história da Polícia Civil.

20/11/2021

Foto: Acadepol

 

 

 

 

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