Capitão da PM Karoline é a primeira mulher a comandar o Subgrupamento Marítimo de Praia Grande

 

Está há dois meses é responsável por chefiar cerca de 100 pessoas entre as unidades de Praia Grande e Mongaguá

Já foi o tempo em que as mulheres eram consideradas frágeis, indefesas e sem habilidades. Mais do que em qualquer outro momento da história, hoje elas reforçam que são capazes de estar onde quiserem, assumindo qualquer cargo de forma justa, assertiva e com poder de liderança.

A prova disso é a capitão da Polícia Militar de São Paulo, Karoline Burunsizian Magalhães, que há dois meses é comandante do 2º Subgrupamento que pertence ao Grupamento de Bombeiros Marítimos (2º SGBMar) de Praia Grande.

A unidade do bairro Mirim é responsável por Praia Grande e Mongaguá, garantindo os cuidados na areia, enquanto o salva-vidas atua no mar.

Karoline comanda o local desde 17 de junho, sendo a primeira mulher a chefiar a unidade e um Subgrupamento no Estado. Chegar ao cargo foi algo que sempre quis. “O GBMar é minha paixão. Tem sido muito trabalho, pois quando muda o comandante a equipe também sente. Estou tendo o apoio dos todos e sem isso não conseguiria fazer as mudanças estruturais”, comenta a capitão, que acrescenta. “Meu maior desafio é fazer o melhor que puder de forma profissional.”

Segundo Karoline, lidar com a responsabilidade não foi algo difícil, já que sua formação é voltada ao setor marítimo. “Foi uma felicidade muito grande voltar a fazer o que sempre gostei e não deixar que a condição de mulher me colocasse em uma posição melhor ou pior que ninguém”, afirma.

Na prática, seu dia a dia envolve gerir a unidade, desde a relação humana, materiais, recursos financeiros e logísticos entre os postos. “É preciso correr atrás das manutenções, sem esquecer o lado operacional, sabendo colocar as pessoas no local certo e não deixar a peteca cair.”

Atualmente, entre as duas cidades, a capitão da PM chefia em torno de 100 pessoas. Destas, somente ela e mais cinco são mulheres. Apesar da diferença, acredita que o número aumentou desde que entrou na Polícia Militar, em 2004. “Tenho visto mais mulheres na Polícia, Corpo de Bombeiros e GBMar, mas eu cobro o mesmo. A vítima não escolhe onde vai se afogar e quem vai socorrer, por isso, o guarda-vida tem que ter a mesma condição para salvar essa pessoa. Faço o mesmo treino para os dois sexos. Se a mulher tem mais dificuldade por uma questão fisiológica, tem que treinar mais.”

Ao ser questionada sobre o machismo no trabalho, diz que foi preciso se impor. “Se eu me posicionar de uma forma frágil, as pessoas vão me ver desse jeito. Independentemente de ser mulher, cobro deles apenas o que devem fazer.”

TRAJETÓRIA – Aos 38 anos, a capitão da PM mora no Guarujá e foi para o Corpo de Bombeiros em 2009. Em 2013, entrou para o GBMar como tenente, mas acabou sendo transferida para o grupo de incêndio. Um tempo depois foi promovida e seguiu para a unidade de policiamento do Guarujá. Depois ficou cuidando de processos disciplinares antes de comandar a unidade do SGBMar praia-grandense.

Após tantos anos de carreira, a capitão diz que inúmeras ocorrências marcaram sua trajetória. “Muitas são tristes e de aprendizado, mas o mais importante é saber que você faz a diferença, que vale a pena ver no olhar do subordinado e da vítima que está no caminho certo, ver que nosso papel está sendo cumprido diante da sociedade.”

Com a proximidade do verão a capitão diz que as ações já estão sendo reforçadas. “Trabalhamos o ano todo. De março a novembro acontece a manutenção dos postos, das motos aquáticas, comprando uniformes, entre outros, sem nunca parar os treinos. Depois começamos a focar na temporada, inclusive os guarda-vidas não podem se afastar de dezembro a fevereiro”, detalha.

A unidade se prepara para a contratação dos temporários e também com o número de turistas que deve visitar a região, já que o ano passado foi atípico devido à pandemia de covid-19. Neste período os trabalhos não pararam.

DAS PRAIAS À COZINHA – Além de comandar o 2º SGBMar, no tempo livre, Karoline também gosta de chefiar a cozinha, o que a levou a ser campeã do programa de TV MasterChef Brasil 2020. “Foi um desafio pessoal. Quando fui não sabia que iria ganhar, mas estudei bastante por ser algo bem técnico”, relembra.

Comentou também que a pressão e a agilidade que precisa no cotidiano a ajudaram. O amor pela gastronomia surgiu ainda na adolescência quando via programas de receita e foi aprimorando com o casamento, dizendo que o marido a apoiou experimentando os pratos.

Além disso, tem seis cachorros em casa e no tempo livre gosta de treinar, seja no cross fit ou realizando outra atividade física, considerada por ela sua válvula de escape, momento em que consegue esquecer os problemas.

Apesar de sua rotina, Karoline não se sente um exemplo para outras mulheres, mas vê que muitas a enxergam como inspiração e dá o recado. “Nada é impossível, corram atrás dos seus sonhos sejam quais forem, porque é você quem os define”, conclui.

24/08/2021

 

 

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