Dobra o número de mortes por covid em grávidas e puérperas

Aumento de mortes do grupo foi maior do que na população em geral

O número de mortes por coronavírus em grávidas e puérperas (em período pós-parto) mais que dobrou em 2021 se comparada à média semanal do ano passado, conforme dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19).

Em média 10,5 gestantes e puérperas morreram por semana no ano passado, chegando a 453 mortes em 43 semanas epidemiológicas. Já este ano a média chegou a quase 26 mortes semanais até 10 de abril, totalizando 362 vidas perdidas em apenas 14 semanas, aumento de 145,4%. Além disso, os dados ficaram acima da média da população em geral, que teve crescimento na taxa de morte semanal de 61,6%.

A professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e uma das criadoras do Observatório, a médica Rossana Francisco, avalia que o País precisa de políticas públicas direcionadas a esse público. O Observatório usou dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) e até 10 de abril foram confirmados 9.985 casos de covid entre gestantes e puérperas, com 815 mortes.

A médica, que também é presidente da Associação de Medicina e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp), afirma que a morte materna no Brasil, em geral é elevada pela fragilidade no atendimento e diante da pandemia isso piorou. A orientação é que essas mulheres façam isolamento social, uso de máscara, além de priorizar o home office. Rossana disse que, no ano passado, o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) alertou que grávidas corriam mais risco de desenvolver formas graves do vírus na comparação as demais mulheres. Segundo ela, a gestante corre mais risco de precisar de uma internação em UTI e de morte.

BEBES E CRIANÇAS – Apesar de não serem do grupo de risco bebês e crianças também estão sendo infectados, já que as variantes que estão surgindo têm atingindo mais os pequenos, diferente do que era visto na primeira onda.

Segundo a epidemiologista Fátima Marinho, desde o começo da pandemia mais de 2 mil crianças de até 9 anos já morreram no País, algo que para ela é resultado da falta de testagem e o equívoco de acreditar que crianças são ‘imunes’, quando antes só ‘corriam menos risco’. Fátima coordenou um estudo que mostrou um número alto de crianças e bebês afetados.

Conforme dados do DataSUS, entre fevereiro de 2020 e 15 de março de 2021, ao menos 852 crianças de até 9 anos, incluindo 518 bebês menores de 1 ano morreram pelo vírus. Apesar disso, a epidemiologista diz que o número é, na verdade, muito maior devido as subnotificações.

Muitos bebês acabam infectados pelo contato direto com as mães, algumas contraem o vírus até no momento do parto. Por isso é necessário atenção pois apresentam alguns sintomas como recusar comer, ficarem chorosos, moles, respirando mais rápido ou apresentando cianose labial, que é quando o lábio fica mais escuro que o normal. Em qualquer sinal leve a criança ao médico. O melhor a fazer é higienizar as mãos, manter distanciamento e usar máscara.

03/05/2021

 

 

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