Chegou a hora dos jovens se vacinarem?

Após o Governo do Estado anunciar mais uma vez a antecipação do calendário de vacinação contra a covid-19 aos adultos, São Paulo divulgou no domingo, dia 11, que deve imunizar adolescentes de 12 a 17 anos, a partir de 23 de agosto.

O novo grupo tomará a vacina da Pfizer/BioNTech, única até o momento autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a faixa etária, com expectativa de que o público tome a primeira dose até final de setembro. Essa antecipação depende da quantidade de doses que serão enviadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, e acontece devido à compra de vacinas extras da Coronavac adquiridas pelo Estado.

A notícia é boa e faz com que o sonho de voltar a ter uma vida normal esteja cada vez mais próximo. Independentemente do possível teor político que os anúncios têm, possivelmente mirando a campanha presidencial de 2022, quanto mais pessoas vacinadas, melhor.

Mas, se analisarmos de forma nacional, levando em conta que a campanha não alcançou nem metade da população adulta com a primeira dose, e não tem nem 20% do público com o esquema completo – seja com a segunda dose ou com a dose única - junto ao alerta e o monitoramento dos casos da variante delta (que tem origem na Índia) que já chegaram ao Brasil, surge o questionamento: está realmente hora de vacinarmos adolescentes?

Não seria hora se colocássemos a ‘carroça na frente dos bois’, isto é, se liberassem a campanha para os jovens sem acabar a aplicação da primeira dose nos acima de 18 anos, como foi o caso da cidade de Betim, em Minas Gerais. O local iniciou a vacinação de 12 a 14 anos, pulando outros grupos, enquanto ainda imunizava a população de 59 anos sem comorbidades e os de 40 a 49 anos com doenças pré-existentes. A ação foi suspensa pela Justiça mineira em 17 de junho. Não será esse o caso.

Além disso, não será preciso esperar alguma iniciativa Ministério da Saúde, que desde o começo toma decisões na maioria das vezes atrasada, quando quase todos os estados já iniciaram de alguma ação por conta própria, sendo também uma forma de pressionar a pasta. Assim como São Paulo, outros estados já anunciaram o calendário de vacinação aos mais jovens, como a capital do Rio de Janeiro, São Luís (no Maranhão) e Roraima. O Ministério disse que a vacinação aos acima de 12 anos está em discussão.

Apesar de colocarmos na balança os prós e contras, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem indicado que a vacinação de menores de 18 anos não seja uma prioridade. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) diz “não entender” o motivo de São Paulo informar o novo cronograma se ainda falta mais de um mês, afirmando que a informação não ajudará em nada. A entidade disse também que o Estado deveria aguardar uma posição do PNI, sendo importante uma ação conjunta e não uma posição individual. Fora do País, a vacina já é autorizada para adolescentes nos EUA, Canadá, Reino Unido e outros países europeus.

Ainda não é possível saber se a decisão é certa, mas de uma forma ou outra, a vacinação precisa acelerar.

15/07/2021

 

Ecovias

ecovias