Brasil crescendo errado

O Brasil continua sendo um país que registra crescimentos desanimadores. Por aqui cresce somente a densidade demográfica e a pobreza. Nesta semana duas pesquisas destacaram números alarmantes para a economia nacional. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na sexta-feira, dia 27, que a população brasileira chegou a 213,3 milhões este ano, o que representa um crescimento de 0,74% na comparação com a população estimada em 2020 (estudo foi feito antes da pandemia).

Outra pesquisa que não agradou refere-se ao aumento da pobreza no País em virtude da pandemia. Estudo do pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), economista Daniel Duque, mostra que o percentual da população pobre aumentou em 24 das 27 unidades da federação, passando de 25,3% no primeiro trimestre de 2019, para 29,5% em janeiro de 2021. Essa elevação se deu de forma generalizada entre os estados e em ritmo mais intenso no Nordeste e naqueles com grandes centros urbanos: São Paulo e Rio.

E parece que a expectativa quanto ao fim da pandemia, agora que a campanha de vacinação está avançando para os adolescentes, e uma possível melhora no mercado de trabalho com a retomada econômica não vão conseguir reverter essa situação tão cedo. Em São Paulo, por exemplo, a parcela de população pobre subiu de 13,8% em 2019 para 19,7% em 2021. No Rio de Janeiro, ultrapassou um quinto da população, passando de 16,9% para 23,8%.

O maior avanço da pobreza foi notado no Distrito Federal, onde o índice passou de 12,9% para 20,8% – um aumento de 7,9 pontos. Os três únicos Estados que não tiveram expansão da pobreza tinham participação acima de 30% dos pobres na população geral: Acre (46,4%), Pará (45,9%) e Tocantins (35,7%). Como referência, a fatia de população pobre na média do Brasil como um todo passou de 25,2% no primeiro trimestre de 2019 para 29,5% em janeiro de 2021.

Com relação ao crescimento populacional, o Estado de São Paulo aumentou em 350 mil pessoas e chegou a 46,6 milhões em 2021, segundo dados do IBGE. Esse número representa um crescimento de 0,64% na comparação com a população estimada em 2020. Este aumento foi inferior à média nacional, já que a população total do País cresceu 0,74% no mesmo período. Ainda assim é preocupante já que a demanda por serviços públicos avança conforme aumenta o número de pessoas vivendo num estado.

Os números dos levantamentos são desanimadores – diria até revoltantes – diante de um País tão imenso e repleto de riquezas naturais, mas tão mal administrado em todos os setores. São raros os governantes que conseguem realizar algumas ações para realmente minimizar os desequilíbrios sociais. Em algumas cidades e estados, muitos vezes prefeitos e governadores se vêem de mãos atadas, já que dependem dos recursos federais.

Em outros, os governantes se preocupam somente em encher seus cofres pessoais e conseguem burlar até mesmo a Lei de Responsabilidade Fiscal, ainda mais nesse período de pandemia.

30/08/2021

 

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