Falso discurso em prol da Amazônia

Você sabe que o ar que você respira, boa parte dos medicamentos e produtos farmacêuticos que usa, entre outras coisas, depende do fim do desmatamento da Amazônia? Na quinta-feira, dia 11, dois dias após o ministro do Meio Ambiente brasileiro afirmar na COP26 que o “futuro verde do Brasil já começou”, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou dados de que as áreas de alertas de desmatamento na Amazônia Legal bateu um novo – e alarmante – recorde em outubro, com 877 km² destruídos, 5% a mais em relação a 2020. A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, ou seja, representa mais da metade territorial do Brasil, englobando: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.

 

Ainda assim, acreditem, o avanço da destruição (vamos usar essa palavra para dar a verdadeira noção do que está acontecendo no Brasil) foi completamente ignorado pelo responsável pelo Meio Ambiente brasileiro no maior evento mundial do setor que acontece no momento na Escócia. O governo brasileiro ignorou os números negativos e novamente prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2028, apesar de, na prática, ter afrouxado diversas leis relacionadas à preservação ambiental desde que Jair Bolsonaro (sem partido) assumiu a Presidência.

Ou seja, nunca o ditado “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” foi tão levado ao pé da letra. Só que a confiança de que o Brasil vai mesmo cumprir as promessas feitas na COP26 já não existe faz tempo, porque não basta ter um discurso bonito e não agir de verdade para que a situação terrível do desmatamento na Amazônia realmente mude, até porque são hectares destruídos, que não voltarão a ficar verdes do dia para a noite.

Outro ditado também representa muito a participação do Brasil na COP26: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Isso porque o governo montou um estande gigante e lindo em Glasgow para vender a ilusão de que tem um compromisso ambiental, mas na verdade o desastre ambiental continua presente por aqui e diversos órgãos internacionais monitoram isso, não adianta tentar camuflar isso com fotos lindas e gigantescas da parte verde da Amazônia para decorar – literalmente – um estande numa feira com a qual não está realmente compromissado.

Para piorar ainda mais (se é que isso é possível), o ministro Joaquim Leite voltou a cobrar “financiamento robusto” de países ricos para o enfrentamento da crise climática e classificou o momento atual como uma “emergência financeira”. Por outro lado, quando questionado sobre o desmatamento recorde divulgado nesta semana, ele simplesmente ignorou o assunto e apresentou um balanço positivo da participação do Brasil no evento, como se isso fosse mais importante do que realmente criar políticas para minimizar a destruição na Amazônia. Ou seja, ele cobrou investimento internacional, sem assumir a responsabilidade pelo avanço do problema ou sequer ter o compromisso real de tentar minimizar essa destruição. Então é claro que não haverá investimentos internacionais enquanto esse governo continuar agindo dessa forma. E se continuar nas mãos desses políticos logo não haverá mais o que preservar, nem respirar, nem água potável para beber. Será que vale a pena correr esse risco?

 

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