O que esperar do futuroEnfermeiros: heróis de jaleco

Enquanto pelo mundo, as pessoas choram as mortes de 3,32 milhões por covid, nos hospitais fortes guerreiros driblam suas dores, o medo e a solidão para continuar cuidando e salvando pessoas. Na quarta-feira, dia 12 de maio, celebra-se o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro e abrimos um precedente neste espaço desde o início da pandemia para homenagear esses

heróis que também usam máscara - assim como os super heróis da ficção - mas para evitar um mal maior: o contágio por covid.

Nesses 15 meses que o novo coronavírus atingiu 160 milhões de pessoas pelo mundo (15,3 milhões só no Brasil), a Semana Nacional da Enfermagem serviu para homenagear esses bravos guerreiros, que não tem muito o que comemorar nos tempos atuais. Isso porque além de continuarem cuidando dos pacientes com covid, assistem silenciosos (muitas vezes aos prantos) a baixa dos colegas de profissão. Somente em 2020, 44.441 enfermeiros, técnicos e auxiliares foram afastados do trabalho e colocados em quarentena após serem infectados pelo novo coronavírus, um número significativo dentro de um universo de pouco mais de 2 milhões de trabalhadores da área.

Com relação ao número de mortes, até fevereiro eram 519 profissionais de Enfermagem, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

O Brasil responde por um terço do total de mortes por covid-19 entre esses profissionais. O dado em âmbito mundial mais recente sobre letalidade da doença entre enfermeiros foi divulgado em novembro pelo Conselho Internacional da categoria, e dava conta de 1.500 mortos em 44 países.

Isso tudo se deve a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) adequado, às más condições de trabalho que estão expostos, jornadas exaustivas e a omissão das gestões, segundo a opinião do Comitê Gestor de Crise Covid-19 do Cofen. Isso porque a população continuou ignorando as medidas básicas de distanciamento social e de prevenção à covid-19, o que ocasionou na segunda onda, registrada no primeiro trimestre. Com os hospitais voltaram, cresceu ainda mais o risco para o profissional de saúde.

Ainda conforme o Cofen, as mortes e afastamentos culminaram na abertura de vagas na área, com a consequente contratação de profissionais com menos experiência no combate à covid. Só que além da pouca experiência profissional, falta também o tempo de contato e combate ao novo coronavírus, que afeta a saúde física e mental dos enfermeiros. Como são novos nos ambulatórios e UTIs de covid, esses enfermeiros nem sempre conseguem cumprir as medidas de segurança para evitar o contágio, muito menos conhecem as ações de autocuidado para evitar colapsos nervosos, tão frequentes diante da pressão dentro dos hospitais. Ou seja, enquanto eles cuidam dos infectados, quem cuida deles?

Embora usem jaleco no lugar de capas e máscaras de proteção e não para esconder suas verdadeiras identidades, os enfermeiros não são invencíveis. Eles são verdadeiros heróis sim, mas também precisam de atenção e segurança para continuarem exercendo a profissão com maestria. Então é preciso que os governantes olhem sem hipocrisia para as condições em que esses profissionais trabalham e quanto recebem para que haja mais do que a entrega de lembrancinhas ou palmas no Dia Internacional da Enfermagem. Que haja uma real valorização da profissão e que os enfermeiros recebam a atenção que merecem, seja material ou emocional.

13/05/2021

 

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