Dia da Consciência Negra retrata o valor do povo e da cultura africana

Data convoca à reflexão sobre justiça e protagonismo

 

 

Em 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra, em homenagem à morte de Zumbi dos Palmares, um dos líderes do movimento negro e antiescravista. Em algumas cidades, como Praia Grande, de acordo com o Decreto nº 6.757/19, a data será somente ponto facultativo, o que deve alterar o funcionamento de alguns serviços administrativos.

 

Neste período só funcionarão os serviços essenciais de Saúde, feiras livres, limpezas de praias, varrições, Guarda Civil Municipal (GCM), coleta de lixo domiciliar, fiscalização de trânsito, transportes e engenharia de tráfego funcionarão, entre outros.

 

O Dia da Consciência Negra foi instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, em novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes negros do Brasil, que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. O dia é dedicado à reflexão e reconhecimento dos descendentes africanos na construção do Brasil.

 

A data é fundamental para evidenciar as desigualdades e violências contra a população negra ainda existentes em nossa sociedade. De acordo com o presidente da ONG Raízes Negras no Litoral (RANEL), Wilson Luiz Costa, conhecido como Lica, a data proporciona a reflexão sobre o racismo e suas implicações na atualidade. “Neste momento existe um presidente que trabalha para desconstruir a importância desta data. Poderia aqui destacar uma lista enorme de ações de discriminação, preconceitos e precaução contra a população negra já estruturada no Brasil. As pessoas só vão se importar realmente com isso quando forem vítimas”.

 

Segundo Lica, para diminuir esta situação os negros devem estudar mais e ter consciência da origem e existência. “Nossa autoestima está muito baixa e isso atrapalha tudo, inclusive no desenvolvimento de Praia Grande e do Brasil. Devemos nos respeitar mais porque só assim iremos diminuir esta situação”.

 

O presidente do Conselho da Igualdade Racial de Praia Grande, Leonildo Antonio Modesto, conhecido como Mestre Angoleiro, acredita que esta data poderia ser comemorada de um jeito ainda melhor. “Se o poder público nos respeitasse e nos desse meio de cultuar o dia 20 de novembro, as coisas seriam de outro jeito. Acho importante termos a criação de políticas públicas”.

 

Ele se sente orgulhoso da data, pois Zumbi dos Palmares foi um dos maiores líderes negros do Brasil e lutou pelo povo negro. “Naquela época ele lutou contra um sistema racista e para mim militante. E por isso nessa data precisamos relembrar dos nossos ancestrais, de todas as dores e injustiças que eles sofreram”.

 

A coordenadora do Núcleo Educafro Alzira Rufino (Melvi), Thayany Muniz, aponta que a data é para enaltecer personalidades negras. “Memorar e revelar a história e a cultura negra a partir da ótica positiva, mas também é denunciar. Denunciar o Racismo institucional e estrutural que ainda predomina no imaginário coletivo. Dia de apontar as desigualdades e violências resultantes do racismo que impedem a população negra ter acesso aos direitos básicos. O dia nos permite guardar nossa memória e identidade enquanto povo, nos convocando a refletir sobre justiça e protagonismo”.

 

Thayany acredita que precisamos de menos discurso e mais ações. “Ainda temos dificuldades de nos assumir um País racista. Vivemos em uma sociedade que sustenta o mito da democracia racial. A ideia de plena igualdade entre as pessoas independente-mente de raça, cor ou etnia. O que não pratica não acontece, até o presente momento é a população negra está nas situações de vulnerabilidades e violências”.

 

20/11/2020

 

Texto: Danielle Martins

 

 

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