Professores relatam lutas e desafios na pandemia

No Dia dos Professores, nesta quinta-feira, dia 15, profissionais contam como foi se adaptar a rotina em casa e as aulas remotas

 


Eles são responsáveis pela formação de todas as profissões, por incentivar e mostrar novas maneiras de ver o mundo e mesmo com obstáculos e desafios, os professores conseguem marcar a vida de alunos para sempre. É por isso que na quinta-feira, dia 15, celebra-se o Dia dos Professores.

Mesmo em diferentes situações, os professores não abrem mão de defender a Educação e a prova do amor pela profissão está em como foram capazes de se adaptar à pandemia da covid-19, em que as salas de aulas foram transferidas para o universo virtual.

Entre os docentes que precisaram lidar com esse novo cenário está Mírian Silva dos Santos Ferreira, que dá aulas de música há 17 anos e hoje atua no ensino municipal e também na rede particular de Praia Grande.

A mudança foi brusca e repentina, mas mesmo assim se adaptou. “Posso dizer que foi assustador! Trabalhar presencialmente é muito diferente do que remotamente. No presencial, o professor está no mesmo local, consegue atender em tempo real às dúvidas. À distância é preciso muita percepção visual para conquistar a confiança e conseguir ser clara quanto ao conteúdo”, explica.

Mírian sempre quis trabalhar com música desde criança e viu na pedagogia musical o contato com as crianças e a facilidade que têm em aprender. “Sinto como se estivesse ajudando alguém a se descobrir, a melhorar a sensibilidade, a concentração, a se sentir especial e estimular o cérebro de uma forma única.”

Seu maior desafio foi encontrar uma forma de fazer o aluno entender os conteúdos e conquistar a atenção deles, já que alguns enfrentaram problemas com depressão ou são tímidos, o que os impedia de participar das aulas online. “Daí veio a ideia de atendê-los individualmente até que sentissem segurança para se juntar aos demais”, relembra.

A professora precisou também lidar com os problemas em casa. Com duas filhas, uma de 17, outra de 14 anos e o marido professor, foi preciso achar uma solução para que os quatro trabalhassem e estudassem. “Como as aulas remotas exigem muito mais do professor tive que me organizar para que os trabalhos domésticos e a convivência familiar não ficassem prejudicados.”

O que espera é que a vida possa voltar gradativamente ao normal, agregando ao ensino as experiências adquiridas com a pandemia.

Outra profissional que precisou se adaptar as novas regras foi Ana Carolina Rolan, que dá aula na rede municipal. Na área há mais de 20 anos, diz que conseguiu se adaptar e se preocupou com as colegas que não tem familiaridade com equipamentos tecnológicos. Seu maior desafio foi adequar os estudos à rotina em casa. “É uma missão quase impossível, porque a TV está ligada, existem outras crianças ou apenas um celular/computador para realizarem as tarefas. O maior deles é fazer os pais terem tempo para as atividades pelo dia a dia ser corrido”, ressalta.

Hoje dá aula para duas turmas, uma de quarto ano do fundamental e outra do sétimo ano para autistas e teve que mudar a rotina para se encaixar aos horários dos pais. A escola que atua deu autonomia para decidir a melhor forma de entrar em contato e optou pelo Whatsapp. “Fico sempre disponível, chego a atender mães às 23h e permito isso, pois chegam tarde em casa e é a única hora que podem ajudar as crianças.”

Outro desafio é lidar com os problemas domésticos. Mesmo com suas filhas fora da idade escolar, sempre ocorrem imprevistos, como a luz do prédio acabar, carro dos ovos passando na rua ou o cachorro latir no meio da gravação da aula. E o resultado de tudo isso é que a autocobrança também aumenta. “Ser professor é se reinventar sempre e assim que as aulas voltarem o grande desafio será tentar melhorar o que foi perdido com a pandemia.”

Quando bate a saudade faz reuniões pelo zoom ou vídeochamada para não perder o vínculo entre professor-aluno e além dos alunos, a mãe das gêmeas Letícia e Luiza Patrício Sousa, da turma de Ana Carolina, Alessandra Márcia Patrício, acredita que o diálogo entre pais e os profissionais também é importante. “Esse vínculo é fundamental, nos torna mais compreensivos em diversas situações e conseguimos estar presentes nas dificuldades de nossos filhos. Os professores nos apóiam e nos incentivam a todo momento, nas dificuldades do ensino estavam sempre a disposição para ensinar”, conclui.

15/10/2020

 

 

 

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