Especialistas alertam sobre cuidados com as crianças na pandemia

Se a criança usar álcool 70% para limpar as mãos deve ter ajuda de um adulto

 

 

 

A covid-19 ainda é desconhecida em muitos aspectos. Assim como a busca pela vacina, cientistas procuram entender como o vírus age no organismo, principalmente entre os mais novos. Neste caso, quais cuidados os pais devem ter com as crianças?

Segundo o estudo britânico publicado em agosto pelo British Medical Journal (BMJ), os sintomas mais comuns do vírus em pessoas de até 19 anos foram febre (70%), tosse (39%), náusea ou vômito (32%) e falta de ar (30%). A febre e a coriza eram mais comuns em crianças mais novas; já a náusea, vômito, dor abdominal, de cabeça e garganta tendia a ser mais frequente entre os mais velhos.

Apesar disso, a médica especializada em infectopediatria, Renata Araújo Alves, informou que em geral, as crianças são assintomáticas ou apresentam sinais e sintomas inespecíficos semelhantes aos adultos. “Algumas, principalmente as menores, podem apresentar quadros gastrointestinais e diarreia”, aponta.

O alerta para se ter um diagnóstico médico são febre por mais de três dias, baixa aceitação de alimentos, sonolência, convulsões ou sintomas respiratórios graves.

As crianças também podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), associada à covid-19. A SIM-P pode ser leve, moderada ou grave, sendo uma grande resposta inflamatória que, em casos severos, pode acometer diversos órgãos e sistemas do corpo. Os principais atingidos são o sistema cardiovascular, o trato digestivo, e também há alterações na pele e nas mucosas. Conforme Renata, essa síndrome geralmente se manifesta entre duas a seis semanas após a infecção do coronavírus.

Uma outra forma de apresentação da SIM-P é semelhante à síndrome de Kawasaki, uma doença de origem imunoalérgica que também causa febre difícil de baixar.

Como ainda não existe uma cura para a doença, é importante que existam medidas de prevenção como evitar contato com pessoas doentes; cobrir boca e nariz ao tossir e espirrar e lavar as mãos com água e sabão, ou usar álcool gel 70%. O produto deve ser sempre usado junto de um adulto.

Quando chegar em casa, as solas dos sapatos devem ser higienizadas ou retirá-los antes de entrar, lavar as roupas que foram utilizadas e, se possível, tomar banho. Deve-se manter limpeza diária de móveis ou objetos tocados, considerando que as crianças têm muito contato com superfícies como o chão e levam as mãos ao rosto. A higienização dos brinquedos pode ser feita de duas a três vezes por semana, desde que a criança não apresente nenhum sintoma de doença, caso contrário, deve ser diária.

Quanto ao uso de máscaras, crianças de 5 anos ou menos não devem ser obrigadas a utilizar o item. Considera-se prudente o uso só quando estão perto de alguém doente. Nesse caso, um adulto deve supervisionar o uso seguro.

Já o uso em crianças entre 6 e 11 anos deve ser baseada no grau de transmissão local, capacidade em usá-la de forma segura e adequada, supervisão de um adulto, entre outros.

A médica ainda diz que é preciso ter atenção pelos familiares, que podem pertencer a grupos de risco ou mesmo desenvolver quadros mais graves da doença, já que as crianças tem menor taxa de infecção mas são transmissoras do vírus. Ainda não se sabe o porquê crianças tendem a ser menos afetadas.

09/10/2020

 

 

 

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