Perfil do candidato nestas eleições é homem, negro, casado e ensino médio

 

 

Segundo dados do TSE, maior diferença em relação ao perfil do pleito de 2016 é o quesito de raça, já que a branca era mais comum há quatro anos

Homem, negro, casado, com 46 anos e ensino médio completo. Esse é o perfil médio dos candidatos que disputam as eleições deste ano. Esta é a primeira vez desde 2014, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a coletar dados de raça, em que o candidato médio é negro. Nas eleições anteriores, a cor de pele mais comum era a branca.

No total, são mais de 548 mil candidatos registrados para participar das eleições. Os dados foram divulgados pelo TSE, mas ainda podem sofrer alterações, com a atualização pelo órgão ou até com indeferimento e renúncia de candidatos.

De todas as candidaturas registradas, 49,9% são de pessoas que se declararam pardas ou pretas. Juntos, pardos e pretos formam os negros, segundo classificação do IBGE. Já os brancos representam 47,8% do total. Além disso, 0,4% se declaram indígenas e outros 0,4%, amarelos. Não há informação de raça de 1,6% dos registros.

A proporção de candidatos negros nas eleições deste ano é a maior já registrada pelo TSE. Além disso, é a primeira vez em que os brancos não são mais de 50% dos candidatos. Por isso, houve alteração do perfil médio dos candidatos de branco para negro.

Os especialistas afirmam que cada vez mais brasileiros estão se declarando negros, o que acaba se refletindo nas candidaturas. Quanto às outras características, não houve muita diferença em relação ao perfil médio dos candidatos das eleições municipais de 2016. Os candidatos são predominantemente casados (51%), com ensino médio completo (38%) e com uma média de 46 anos.

Em relação ao gênero, 67% são homens e 33% são mulheres. O percentual feminino, inclusive, é muito próximo do mínimo estabelecido em lei pela cota de candidatas mulheres que deve ser cumprida pelos partidos, de 30%.

Também vale lembrar que, de acordo com o IBGE, as mulheres correspondem a mais da metade dos brasileiros (52%).

SEGUNDA CHANCE – Nas últimas eleições municipais, em 2016, quase 15 mil candidatas a vereadora não receberam nem sequer o próprio voto – o equivalente a 10% do total. Mas agora, 975 delas voltam a disputar a eleição. Em 99% dos casos, as mulheres lançaram a nova candidatura no mesmo município pelo qual concorreram em 2016. Porém, mais da metade das candidatas (57%) mudou de partido. Quase todas (98%) continuam buscando uma cadeira na Câmara Municipal.

Os partidos começaram a aumentar o número de candidaturas de mulheres após a minirreforma eleitoral de 2009. A emenda tornou obrigatória a cota de, no mínimo, 30% para candidaturas de mulheres em eleições proporcionais (como a de vereador). Antes disso, uma lei previa a reserva de 30% das vagas para as mulheres, mas os partidos deixavam essas vagas vazias.

Neste ano, o TSE está atento às candidaturas femininas para evitar o uso das mulheres em candidaturas laranja, criadas somente para cumprir a lei e como forma de obter recursos de campanha.

09/10/2020

 

 

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